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Muitos pensam que o desejo antecede a coragem… Por isso, o desejo seria algo irracional, incontrolável e possivelmente perigoso. Ledo engano! É preciso ter coragem e ser forte para ver o que se quer. Apenas o nosso desejo pode nos guiar para momentos felizes.

Obviamente que não é tão simples assim, desejar e pronto. Tudo requer trabalho. Querer é construção. E a norma e a moral vigentes, decididamente, não são as ferramentas para ter desejo e coragem. Requer ir além.

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O trabalho pode começar pelo entendimento. Mas o que interessa mesmo é aprender a usar o que temos em mão. Dessa sucata é preciso fazer algo que funcione. E que nos satisfaça de uma forma prazerosa. Não na forma de um impulso, que nos alivia momentaneamente e depois nos cobra a consequência.

Vejamos alguns exemplos:

– Ah! Me estressei com meu chefe, três ‘cervas’ servem!”

Saio corajoso no volante e… cara no poste.

Enquanto poderia ser:

– Meu chefe tá um saco, mas aquela aula de fotografia depois do expediente me refaz!

Querer ser feliz a todo custo não é frívolo, nem inconsequente. Equívoco é tentar ser feliz através do outro. Colocamos a razão, na maioria das vezes, precedendo o direito do querer. Por quê? É como se razão nos protegesse de escolhermos a coisa errada, nos impedindo assim de sofrer. Saiba que nunca desejamos as coisas erradas. Ocorre que detestamos não ser Deus e encarar a realidade. Afinal, sempre há a possibilidade de não gozarmos do objeto ansiado.

Confirma-se, assim, que não há nada de imoral ou perigoso com o desejo. O medo é do que vem depois dele. Desejo implica se arriscar a ganhar ou não. Mas ‘não ganhar’ não é necessariamente perder. Não ganhar pode nos estimular a continuarmos investindo ou nos fazer investir em outro lugar, em outra pessoa… Em outro desejo, talvez.

Assim nos vemos tal qual com o medo da morte. Não temos medo da morte, e sim da vida, pois a morte acontece em vida. Morre quem está vivo. Só tem desejo quem está vivo. O medo do desejo é medo de viver. Não ter desejo é estar morto. E nos remete a uma mera ilusão de que não corremos mais riscos. Desejo e coragem. Não temos mais risco de não mais perder nada, pois não há mais nada a ganhar.”

Desejo e Coragem – Morrer em vida é a mais torturante das mortes

“Consternar-se pelo que perdeu é bem mais suave do que padecer pelo que nunca teve coragem de obter. Na verdade, quando se é livre para desejar, o lamento de uma perda pode ser tão momentâneo. Como ver um lindo pássaro bater asas. Traz apenas uma leve nostalgia. Lembro-me que a capacidade de olhar para o lado é proporcional ao que nós nos permitimos. Afinal, o desejo e seus fins são maravilhosamente infinitos e diversos. O mundo é um mosaico de experiências!

Armadilha é esquecer que a vida biológica é real e não imaginária. Este é o preço que pagamos por nossa existência. “O tempo não apita na curva, não para na esquina, não espera ninguém”. Ao citar esse compositor, do qual já não me recordo quem seja, aponto que o objeto na verdade não interessa. Observem que apenas me recordo da mensagem deixada e não do autor. O que de fato importa é o que usufruímos, porque não nos manter desejantes? Continuo médica, mas hoje doei prateleiras de belos livros de medicina para poder acessar melhor meus romances.

Poupar desgastes evitáveis é ser fiel ao nosso desejo. E se sempre há algo a se pagar, viver sob essa lealdade nos é muito menos caro. É um barato!”

“Morrer em vida é a mais torturante das mortes. Consternar-se pelo que perdeu é bem mais suave do que padecer pelo que nunca teve coragem de obter”.

*Crônica publicada no jornal O Popular.”

 

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