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Adolescentes em conflito emocional, com a Psiquiatra Valéria Avilla

Para tudo! Por que boa parte dos adolescentes tem que ser do contra? Com alguns, “só mesmo Jesus na causa”. Os consultórios terapêuticos têm muita demanda de pais e filhos que não se entendem. Adolescentes em conflito emocional não são uma causa perdida.  Com entendimento dessa fase, isso pode ser resolvido!

Adolescentes em Conflito Emocional

Dra. Valéria Avilla – Psiquiatria, Psicanalista e Escritora – CRM – GO 6174

Adolescentes em conflito emocional

A adolescência é mesmo uma fase cheia de conflitos. As emoções se tornam à flor da pele e é realmente complicado, para a maioria dos adolescentes em conflito emocional, ter até o próprio entendimento de si, quanto mais se fazerem entender. Quantas mudanças de uma hora para outra! A família normalmente “paga o pato”. Portanto, vamos compreender melhor a adolescência, com a Psiquiatra, Psicanalista e Escritora Valéria Avilla:

Aurélia Guilherme – Quais são os problemas mais comuns enfrentados por adolescentes em conflito emocional?

Dra. Valéria Avilla – A adolescência é um momento de deixar de ser algo, não sendo ainda quase nada da nova etapa. É angustiante estar nesse vácuo, melhor, ser esse vácuo. Há um esvaziamento das certezas e dos valores dos pais e da cultura imposta, somada ainda a uma escolha própria, muito incipiente, a qual oferece pouca estrutura a sua personalidade.

O lado bom, é que é o momento de aprender a viver com a incerteza e o acaso.  Lembrando que, possuir estruturas pouco sólidas, nos torna pessoas mais flexíveis e resilientes.

É o período da construção da autoestima. No mundo contemporâneo, é a fase de aprender a lidar com tantas opções de escolha, e com uma competição assoladora, cada vez mais precoce, que já atinge os pré-adolescentes.

Aurélia Guilherme – Como é a receptividade que eles têm tido no entendimento desses conflitos?

Dra. Valéria Avilla – Pensando sob o prisma de pessoas mentalmente saudáveis, ainda assim existe certo conflito, em função da diferença. Mas, ainda bem que há diferença, pois senão seria estagnação. Conflitos ocorrem entre gerações pela dificuldade de um entender como o outro funciona. Entender como é a lógica desse funcionamento. O mundo dos pais dos adolescentes de hoje, era um mundo mais pré-determinado. Seguir esse caminho era ter mais chance de obter sucesso.

Atualmente não. Estamos num mundo GPS – a cada curva e mudança das condições há uma correção de rota. Acreditem! Nossos adolescentes estão mais preparados para esse mundo da improvisação e da instabilidade do que nós. Penso também, que os pais de hoje já têm um pouco mais de noção de que podem aprender com os filhos, sem se sentirem envergonhados. Na  geração da minha mãe, que hoje teria 80 anos, imperava o seguinte pensamento: – Não importa que você tenha 40 anos, se sou sua mãe, sempre saberei mais do que você.

É como se com a idade, o acúmulo de conhecimento da vida fosse garantia de tudo. Outra questão que gera certo desencontro é a velocidade do mundo deles – exemplo disso, é dificuldade que temos de ver fotos juntos – eles nasceram na era da imagem. A capacidade de visualização e a lógica do uso da escrita e da imagem são distintas das nossas. Eles não são mais incultos porque preferem o YouTube a ter que ler um livro.

Em geral, penso que essa geração de pais, já está bem mais preparada para não se assustar tanto com eles, e assim, mais dispostos a atualizar seus aplicativos.

Adolescentes em conflito emocional estão por toda parte. É importante saber lidar com a questão

Aurélia Guilherme – Podemos dizer que os adolescentes vivem mesmo um misto constante de emoções?

Dra. Valéria Avilla – Sim, com certeza. Psiquiatricamente, poderíamos dizer que todos adolescentes em conflito emocional, ou não, são bipolares. Óbvio que vamos contextualizar, mas o comportamento e o pensamento se assemelham muito às instabilidades de um adulto com esse transtorno.

É o momento em que os pais, muitas vezes chegam surpresos e até desesperados ao consultório, dizendo que os filhos estão irreconhecíveis. Adolescentes em conflito emocional estão em boa parte dos lares. É preciso saber lidar com essa fase.

Aurélia Guilherme – Como conviver melhor com os adolescentes em conflito emocional?

Dra. Valéria Avilla – Temos que ter muito cuidado para fazer um diagnóstico nessa etapa. Existem adolescências que são sentidas com maior sofrimento, que requerem ajuda profissional e principalmente orientação dos pais, mas não são, necessariamente, um transtorno psiquiátrico definitivo – apenas, parte do amadurecimento daquele adolescente. Podemos nos valer da psicanálise para o adolescente e para os pais. Ainda, utilizar de medicações seguras por tempo definido e, não cronicamente, em algum momento emergencial – ou seja , quando precisamos de uma resposta rápida, tipo: evitar que o adolescente perca um ano de colégio, o levando a uma frustração excessiva não desejada nesse momento já tão turbulento.

Aurélia Guilherme – Alguns pais se sentem tão desesperados, que acabam piorando ainda mais a situação. As drogas, por exemplo, rondam nossos adolescentes, com traficantes à espreita pelo menor sinal de fraqueza deles. Quando procurar ajuda e que tipo de ajuda?

Dra. Valéria Avilla – Sim, a oferta de drogas está no portão e dentro das melhores escolas, parece inevitável. Porém, sabemos que nem todos os adolescentes experimentam drogas, e nem todos aqueles que experimentam, se tornam usuários. E, nem todos os usuários se tornam dependentes. Então, será que a raiz do problema está mesmo na droga ao alcance?

É possível que filhos tenham um bom relacionamento afetivo com os pais. São aqueles que sentem segurança nesse laço, que têm liberdade para contar não só seus conflitos, mas para comunicar seus desejos. Exemplo: ” – Pai, quero me relacionar sexualmente com meu namorado”. “Mãe, quero estudar fora e, quero eu mesmo escolher minha profissão – você pode me ajudar”?

Esses filhos amam, respeitam e não temem os pais. Sabem que usar droga dá um barato, mas o custo pessoal é caro. Porque se interessariam por drogas? Agora, para os que apenas temem os pais, e não têm a oportunidade de encontrar satisfação no afeto e ainda aqueles que sofrem de algum transtorno psíquico… serão, muito provavelmente, seduzidos pelas drogas – esses serão os dependentes se encontrarem a droga no seu caminho.

Aurélia Guilherme – Qual a melhor atitude a ser tomada, quando o adolescente é flagrado fumando maconha ou bebendo?

Dra. Valéria Avilla – Como disse acima, a melhor atitude é a prevenção. E tal atitude passa por um laço afetivo harmonioso, e isso também não se trata de superproteger.

Mas, diante da situação acima: o primeiro porre, um cigarro de maconha encontrado no meio das cuecas… Conversar com tranquilidade. Entender porque aconteceu. Curiosidade pura? Medo de passar por “Mané” diante dos amigos que ofereceram? Fuga de um estado depressivo? O namorado fuma? Ele percebeu que não valeu a pena? – Foi mal mãe! Ou ele está muito a fim de continuar? Uma boa conversa pode resolver, se for apenas um deslize. Na dúvida, convidar a ir um psicoterapeuta, sem fazer muito drama. Pois, às vezes é só uma tentativa de chamar a atenção e então, reforçamos o comportamento se ficamos apavorados.

Aurélia Guilherme – Qual a sua opinião sobre pais que fumam maconha junto com os filhos adolescentes?

Dra. Valéria Avilla – Não é caretice, mas não acho uma boa ideia, é um estímulo desnecessário. Como também não acho uma boa ideia pais que enaltecem o uso de álcool e incentivam os filhos ao uso. Quando estou na Europa e vejo quase todo mundo fumando tabaco e ainda em qualquer lugar, me toca uma mensagem ilusória de que o cigarro não faz mal à saúde – e essa sensação ou ideia de que o que é comum e familiar é correto e inócuo, é muito perigosa.

Aurélia Guilherme – E quanto às saídas noturnas, os adolescentes parecem não querer dormir, até mesmo em casa. Madrugadas exageradas e regadas a perigos das ruas violentas. Qual sua opinião sobre os limites de tolerância da diversão?

Dra. Valéria Avilla – Esses cuidados com eles mesmos dependem da mesma prevenção. Se o adolescente dá provas de ser confiável, porque não deixar dormir na casa de um amigo ou amiga? Às vezes, isso impede uma carona ou dirigir depois de ter usado álcool. Uma estratégia interessante é incentivar a presença dos amigos na sua casa. Adoro fazer lanches para eles, e aproveitar a oportunidade de, ao servir a mesa, conversar sobre o colégio, namoros, baladas, de igual para igual, brincando e, não investigando – eles vão se mostrando e você vai entendendo quem são os mais centrados e os mais complicadinhos.

Adolescentes em Conflito Emocional

Adolescentes em Conflito Emocional são difíceis. Porém, é possível estabelecer laços de profunda amizade a partir da forma como se estabelece essa conexão. O embate e o autoritarismo podem distanciar o entendimento e acentuar as dificuldades de entendimento

Aurélia Guilherme – De que forma os pais devem se preparar para compreender a velocidade das mudanças que acontecem na vida de seu filho adolescente?

Dra. Valéria Avilla – Preparados, nunca estamos. Somos falíveis e também estamos aprendendo o tempo todo. Vivo dizendo para meus filhos que não tenho ISO 9001 e nem banda-larga. Porém, é não desesperar e ter disposição para estar junto e aprender com eles. Muitas vezes, são eles que estão nos ensinando a lidar com esse mundo tão veloz em mudanças.

Aurélia Guilherme – Ora eles são crianças demais; ora são grandes demais, qual a leitura correta que se faz de um adolescente?

Dra. Valéria Avilla – Acho que no mundo atual eles são grandes demais, cada vez mais cedo e, aí sim, vêm as dificuldades. Competição, decisão de uma profissão muito jovem, sexualidade tão precoce… Crianças demais acabam sendo os pais, esses desamparados entre a geração rígida anterior e a liberdade sem responsabilidade desejada.

Aurélia Guilherme – Como driblar as implicâncias e falta de entendimento entre pais e filhos nessa idade?

Dra. Valéria Avilla – Lembrar que eles só querem se auto afirmar, e tirar você do poder é tentador demais. Ora ignore, ora faça piada com isso, não é com você, é com eles. Numa viagem, meus filhos faziam chacota com minha pronuncia em inglês, na verdade eles queriam me mostrar o quanto aprenderam bem a língua. Em vez de me defender ou ficar ofendida, os elogiei. Pronto! Perdeu a graça. Mas, quando passar dos limites, um basta, também vai bem. – Oh! Você já foi mais pop. Já deu! – Use o jargão deles – funciona.

Aurélia Guilherme – A adolescência marca um período em que o futuro parece ter chegado. Excesso de cobranças pode resultar em adolescentes em conflito emocional?

Dra. Valéria Avilla – Hoje a cobrança vem mais pela via da competição do que da moral. E essa competição chega muito cedo. Num modelo de ambiente escolar que o bem sucedido é o popular e não aquele que é um aluno aplicado. Ao mesmo tempo, quando se aproxima o segundo grau é o aluno aplicado, aquele nerd idiota que está preparado para ingressar numa melhor faculdade. Ensinar nossos filhos a estarem preparados, sem precisar usar de pressão é a saída. É maravilhoso quando aprendemos a estudar porque nos dá prazer. E isso só é possível através do estímulo e do exemplo. Ver os pais se divertindo quando estão lendo ou concertando, ou montando algo, é muito mais producente do que mandar o filho estudar. Aliás, eles estudam línguas jogando games online – quer melhor escola de línguas do que essa?

Aurélia Guilherme – Incertezas sobre o amor, angústias profissionais, há como amadurecer sem tanto conflito?

Dra. Valéria Avilla – Não. Evitar a todo custo que um filho se frustre é trilha rápida e certeira para o fracasso. Ter tranquilidade para escutar os filhos e permitir que falando eles achem suas próprias soluções – mesmo quando percebemos que algumas vezes estão indo numa direção arriscada – é dar potência e segurança aos filhos. É claro que podemos intervir em situações de risco, mas sempre de uma forma que não os desapontemos.

Adolescentes em Conflito Emocional, com a Psiquiatra Valéria Avilla

Adolescentes em Conflito Emocional são pacientes frequentes da psiquiatra Valéria Avilla. Mas, ela faz uma boa leitura de seus casos e adora mediar relacionamentos

Aurélia Guilherme – Pode-se aprender a administrar esses conflitos da adolescência?

Dra. Valéria Avilla – Sim, claro. A adolescência é exatamente o período em que nossos pais idealizados passam a ser vistos como mortais; quando os valores deles são colocados em cheque. Aprender a lidar com esses conflitos é a função da adolescência. Existe adolescência muito saudável, porém, diga-se de passagem , nem sempre é a mais calma.

Uma certa turbulência é necessária à experimentação da vida. Portanto, adolescentes em conflito emocional preparam o ser humano para a vida adulta. Caso contrário, ainda seremos adolescentes aos quarenta anos, ou pelo resto da vida, numa conduta de não assumir o adulto.

Aurélia Guilherme – Qual a sua percepção da adolescência, principalmente em uma época em que há tanta confusão de gêneros. Qual sua opinião sobre como os pais devem lidar com a natural homossexualidade tão frequente na adolescência moderna?

Dra. Valéria Avilla – Bem, homossexualidade parece ser um termo que só os pais conhecem. Para uma grande parte dos adolescentes isso não existe mais. Ou são experimentações – muitas vezes como um ritual de passagem. Na verdade, essas situações sempre ocorreram nas gerações anteriores: beijar uma amiga, ou meninos disputando seus “tamanhos”. Antes, isso era segredo cheio de culpa, hoje é comemoração: fotografam e filmam nas festas. Ou ainda, quando se trata de curtir ou amar alguém, é simplesmente isso – sem preocupação com o sexo anatômico. A pessoa está acima, tem mais valor do que o sexo que ela traz. Essas classificações de homo, bissexual, trans, e siglas como LGBTS, TUVWXYZ, não cabem mais. Parece – me um mundo mais honesto e próximo do amor e do respeito ao ser humano como ser desejado.

Finalizando, acredito que durante a história da humanidade, sempre foi a adolescência, com a mudança e o questionamento que traz, o período mais reformulador da vida do ser humano – quando temos a maior oportunidade de clarear e melhorar o mundo.

Penso também, que talvez estejamos vivendo o primeiro momento na história da humanidade, em que os pais podem mais do que aceitar, se divertir. Os pais podem ensinar e aprender com eles, nesse existir cada vez mais populoso de opções e escolhas.

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